Publicado em: 05/01/2022 às 11:42

Não dá para vacinar o mundo a cada seis meses, diz criador de vacina

Andrew Pollard, um dos criadores da vacina Oxford AstraZeneca, afirma que é preciso priorizar os mais vulneráveis
Niamh Kennedyda CNN

Um dos responsáveis pela criação vacina Oxford AstraZeneca, Andrew Pollard disse que dar às pessoas doses de reforço duas vezes por ano “não é sustentável”. “Não podemos vacinar o planeta a cada seis meses”, disse o cientista ao jornal britânico The Telegraph em uma entrevista publicada nesta terça-feira (4).

Pollard, que também chefia o Comitê Conjunto de Vacinação e Imunização do Reino Unido (JCVI, na sigla em inglês), enfatizou a “necessidade de priorizar os vulneráveis” em vez de administrar doses a todos os maiores de 12 anos.

Mais dados são necessários para determinar “se, quando e com que frequência aqueles que são vulneráveis ​​precisarão de doses adicionais”, disse Pollard.

O cientista lançou dúvidas sobre a necessidade de uma quarta dose da vacina Covid-19, dizendo que mais evidências também são necessárias aqui antes que as campanhas possam começar.

Israel já começou a lançar uma quarta dose de vacina, oferecendo a todos os profissionais da área médica e pessoas com mais de 60 anos na segunda-feira.

E no final de dezembro, o ministro da Saúde alemão, Karl Lauterbach, disse à emissora pública ZDF que os alemães “precisarão de uma quarta vacinação” contra a Covid-19.

Mas Pollard mostrou uma nota otimista em sua entrevista. O “pior já passou”, disse ele.

“Em algum momento, a sociedade terá que se abrir”, acrescentou. “Quando o fizermos, haverá um período de aumento de infecções”, disse.

Ele acrescentou que, no Hemisfério Norte, não é aconselhável que a abertura seja feita neste momento, por conta dos desafios adicionais à saúde pública que impõe o inverno rigoroso.

Ele concluiu emitindo um alerta severo sobre as consequências perigosas da desinformação sobre vacinas, destacando que mesmo comentários “não intencionais” de políticos podem causar estragos.

“Digamos apenas que os comentários feitos na Europa continental afetaram as pessoas na África”, disse ele.

 

Fonte: CNN Brasil

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