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Justiça determina exames de DNA em mães e bebês em Alta Floresta após denúncia de troca
Publicado em: 02/03/2018 ás 15:40:00
Fonte: Nativa News

Por determinação da Justiça, as mães e os dois bebês que teriam sido trocados logo depois do nascimento, no Hospital Regional de Alta Floresta, a 800 km de Cuiabá, em maio do ano passado, devem passar por exames de DNA reversos para comprovar a maternidade das crianças.

A dona de casa Francielli Monteiro Garcia já fez um exame de DNA, o qual comprovou que ela não é mãe do menino de nove meses. A suspeita é de que a criança seja filha de Erivânia da Silva Santos, assim como existe a suspeita de que o bebê que Erivânia deu à luz, no mesmo dia e na mesma maternidade, seja de Francielli.

O caso tramita sob sigilo na Justiça por se tratar de crianças.

Porém, segundo as mães, as pulseirinhas dos bebês também estavam trocadas. A troca veio à tona após desabafo recente que Francielli fez em uma rede social. Há três meses, Francielli desconfiou que o bebê poderia não ser dela e fez um exame de DNA, que comprovou a suspeita que ela tinha.

A direção do Hospital Regional de Alta Floresta negou que houve falha nos procedimentos adotados pelos funcionários da unidade e que os bebes foram identificados corretamente. A instituição contou ainda que o fato so foi comunicado formalmente apos a apresentação do resultado do exame de DNA por uma das mães à enfermeira chefe da unidade.

Francielli contou que deu entrada no hospital no dia 20 de maio de 2017 às 20h46. Após o nascimento, o menino precisou de socorro e foi levado para outro setor pela equipe médica. Na sala ao lado, às 21h06, outro bebê nasceu e outra equipe foi lá para atendê-lo, segundo ela.

Pulseirinhas trocadas

Francielli afirmou ter percebido que o nome que constava na pulseirinha era de outra pessoa. O nome era de Erivânia. "A gente recebeu alta na segunda-feira e, na casa da minha mãe, durante o primeiro banho, a gente percebeu que o nome na pulseirinha era de outra mãe ", afirmou.

Em desespero, Francielli disse ter procurado o hospital para tentar esclarecer a dúvida. "Pensei: será que esse filho é meu? Ou será que não é? De imediato, a gente entrou em contato com o hospital por telefone e eles alegaram pelo desespero que eu estava que em hipótese alguma os bebês teriam sido trocados e que, na correria, as pulserinhas poderiam ter sido trocadas", explicou Francielli.

Assim como Francielli, Erivânia soube que o nome que constava na pulseirinha do bebê não era dela. Quem notou foi a filha dela ao dar banho nele, quando chegaram em casa.

Traços semelhantes

Há cinco meses, quando estava em um posto de saúde do município, depois de uma consulta de rotina dos bebês, Francielli se encontrou com Erivânia. Ela disse ter notado uma semelhança do bebê que a mulher carregava nos braços com a família dela.

Os traços eram parecidos com o do marido dela. Durante uma conversa, elas perceberam que, possivelmente, os bebês poderiam ter sido trocados na maternidade no dia em que nasceram . Erivânia recorda com emoção o momento em que houve a suspeita de que os bebês pudessem ter sido trocados. "Eu falei: Oi, tudo bem? E ela ficou estranha e, foi chorar atrás do posto", lembrou.

"No posto de saúde, ela (Francielli) me perguntou: Qual o seu nome? E eu disse Erivânia da Silva Santos eela me disse que esse era o nome que estava na pulseira do bebê que estava com ela. E ela me perguntou qual nome estava na pulseira do meu bebê e eu disse Francielli", contou.

No mesmo dia, de acordo com Erivânia, Francielli a propôs que fizessem o exame de DNA. "Eu disse que falaria com o meu esposo. Fiquei em choque. É o meu bebê e ninguém vai tirá de mim", disse.

Medo e resistência

Erivânia disse ter medo do desfecho do caso. "É muito triste ver meu filho, pensar que ele não é meu, dei o primeiro banho, fico 24 horas com ele, cuidando dele, vi ele engatinhar. E sei que se ele não for realmente meu filho, ele pode sair de mim" , disse.

Em novembro do ano passado, o caso foi parar na Defensoria Pública de Mato Grosso. O defensor público Túlio Pontes de Almeida afirmou que Francielli a procurou para que pudesse intermediar a conversa com a família que estava com o outro bebê.

"Convidamos a outra parte envolvida para tentar um acordo para ser verificado se o filho que a Francielli estava era dela (Erivânia). Houve um acordo e uma das partes não procurou a Defensoria Pública e foi até um advogado particular. Foi ajuizada uma ação na Justiça, que tramita em segredo de Justiça, pois envolve crianças", explicou.

 

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